Eleições são afetadas por crise e “tiktokização”, diz Fenaj

Presidenta da Fenaj avalia que crises e busca por audiência reduzem espaço para propostas estruturais nas eleições de 2026.

As eleições de 2026 podem ter o debate público prejudicado pela crise político-institucional e pela superficialidade na comunicação das campanhas. A avaliação é da presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, em entrevista à Agência Brasil, responsável pelas informações desta reportagem.

Segundo Samira, a cobertura jornalística tem sido pressionada pela busca por audiência imediata, enquanto parte das candidaturas adota estratégias de comunicação mais voltadas ao marketing do que à apresentação de propostas. Para ela, esse cenário reduz o espaço destinado à discussão dos principais problemas do país.

Crise domina o debate eleitoral

Na avaliação da presidenta da Fenaj, a crise político-institucional relacionada às denúncias do caso Master já ultrapassou o âmbito do Poder Judiciário e envolve instituições como a Polícia Federal. Por isso, a tendência é que o assunto continue ocupando grande espaço no noticiário.

Com a proximidade do primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Samira não acredita que a imprensa e a opinião pública consigam equilibrar facilmente a cobertura da crise com a discussão das propostas dos candidatos. Ela critica o chamado jornalismo declaratório e a superficialidade na abordagem de escândalos.

Para a dirigente, a concentração das atenções na crise institucional acaba colocando em segundo plano as demandas da sociedade civil, os programas de governo e temas nacionais que tradicionalmente fazem parte do debate eleitoral. O efeito também alcança as disputas estaduais.

Fenaj defende cobertura mais aprofundada

Samira afirma que os veículos de comunicação precisam manter a cobertura da crise, mas também insistir em uma segunda agenda, voltada aos problemas estruturais do Brasil. Na avaliação dela, essa abordagem exige uma perspectiva de longo prazo que não termine com o período eleitoral.

Entre os assuntos que deveriam receber maior atenção estão os desafios econômicos, sociais e geopolíticos, incluindo a interferência dos Estados Unidos. A presidenta da Fenaj defende ainda a utilização de fontes plurais e confiáveis e uma cobertura que ultrapasse a simples reprodução de declarações.

Ela também considera necessário ouvir diretamente a população, que sente no cotidiano os efeitos das decisões políticas. Para Samira, o jornalismo precisa exercer sua função social de oferecer informações de interesse público, mesmo diante da pressão por engajamento nas redes sociais.

“Tiktokização” das campanhas preocupa

Outro ponto criticado por Samira é o que classifica como “tiktokização” das campanhas eleitorais. Segundo ela, muitos candidatos passaram a priorizar conteúdos rápidos e de forte apelo nas redes sociais, deixando em segundo plano discussões sobre os problemas reais do país.

A presidenta da Fenaj avalia que os veículos também enfrentam o desafio de não simplesmente reproduzir a lógica das redes sociais. Para ela, a busca por atenção e engajamento momentâneos pode comprometer a profundidade da cobertura e dificultar a manutenção da relevância jornalística.

Samira acrescenta que a própria comunicação das campanhas sofreu um empobrecimento. Na visão dela, poucos candidatos têm demonstrado disposição para discutir de maneira aprofundada os desafios brasileiros.

Clima e tecnologia entre os temas prioritários

Entre os assuntos que considera urgentes para as eleições, Samira cita a questão climática e a forma como as candidaturas pretendem enfrentar as mudanças climáticas e seus impactos.

Ela também menciona o aproveitamento das terras raras e a atração de data centers para o Brasil. Na avaliação da presidenta da Fenaj, são temas relevantes e complexos que ainda não estão recebendo o espaço necessário para um debate aprofundado.

As informações desta reportagem foram fornecidas pela Agência Brasil.

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