As eleições gerais de 2026 resultaram na retração da representatividade de parlamentares negros e indígenas na Câmara dos Deputados. Juntas, as bancadas somarão 138 representantes, o equivalente a 26,9% das 513 cadeiras da Casa na legislatura que se inicia em 1º de fevereiro de 2027. Os dados têm como base os registros oficiais da Justiça Eleitoral consolidados após o pleito.
Na comparação com o ciclo anterior, o total representa uma queda em relação a 2022. O cenário evidencia desafios na consolidação desses espaços de poder institucional, mesmo diante de um volume expressivo de candidaturas registradas.
Retração na bancada negra: 135 eleitos
No recorte da população negra — que agrupa, segundo os critérios do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autodeclarados pretos e pardos —, foram eleitos 135 deputados federais. O montante representa 26,3% da composição total da Câmara, apresentando um recuo de 2,9% frente aos 139 parlamentares eleitos em 2022.
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Renovação e continuidade: Do total de eleitos em 2026, 77 deputados foram reeleitos (57% do grupo), enquanto 58 novos nomes estreiam na Casa ou retornam ao parlamento após períodos fora do mandato.
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Distribuição partidária: A federação encabeçada por União Brasil e PP liderou a eleição de parlamentares negros, emplacando 32 nomes (23,7% do total do grupo). A ocupação das vagas manteve-se pulverizada entre diferentes legendas, sem concentração exclusiva em uma única sigla.
Cenário em São Paulo
Maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo elegeu sete deputados pretos ou pardos entre suas 70 cadeiras, indicando uma redução proporcional frente à legislatura anterior (que contava com dez nomes).
Entre os parlamentares paulistas eleitos estão:
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Erika Hilton (PSOL) — declarada preta, destacou-se como a segunda candidata mais votada para a Câmara no estado, alcançando 1.596.472 votos.
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Marcos Pereira (Republicanos), Sidney Cruz (MDB), Ney Santos (Republicanos), Altair Moraes (Republicanos), Maria Rosas (Republicanos) e Milton Leite Filho (União Brasil) — declarados pardos.
Representação indígena recua para 0,6% da Casa
Entre os registros de etnia indígena validados pelo TSE, o número de parlamentares eleitos caiu para três deputados federais, o que corresponde a aproximadamente 0,6% da Câmara dos Deputados:
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Paulo Guedes (PT-MG) — reeleito por Minas Gerais.
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Juliana Cardoso (PT-SP) — reeleita por São Paulo, com 111.904 votos.
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Sônia Guajajara (PSOL-SP) — reeleita por São Paulo (com 54.207 votos), após comandar o Ministério dos Povos Indígenas na esfera federal.
O resultado representa uma baixa em relação a 2022, quando cinco parlamentares indígenas conquistaram assentos (Célia Xakriabá, Juliana Cardoso, Paulo Guedes, Silvia Waiãpi e Sônia Guajajara). Nomes como Célia Xakriabá disputaram o pleito em Minas Gerais, mas não obtiveram êxito na recondução.
Recorde de candidaturas x Conversão em cadeiras
A retração na bancada ocorreu na contramão da participação nas urnas. Dados compilados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) a partir do sistema do TSE apontam que o pleito de 2026 registrou um número recorde de 75 candidaturas indígenas para o cargo de deputado federal, evidenciando o descompasso entre o aumento de postulantes e a efetiva conversão em mandatos.
Metodologia e Transparência dos Dados
As informações estatísticas de raça, cor e etnia fundamentam-se estritamente na autodeclaração prestada pelos próprios candidatos no ato do registro de suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral. O padrão de coleta ampliada e estruturada por quesitos específicos de cor/raça e etnia indígena consolidou-se de forma mais abrangente a partir de 2022, servindo de base comparativa para a mensuração da evolução histórica da diversidade no parlamento brasileiro.
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