A cinco dias do primeiro turno das eleições estaduais, os candidatos ao Governo de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Natasha Slhessarenko (PSD), protagonizaram uma noite de debates intensos nesta terça-feira (29), durante programa promovido pela TV Centro América.
O encontro, mediado pelo jornalista Cleto Kipper, foi marcado por embates sobre incentivos fiscais, saúde pública, obras do BRT, segurança, funcionalismo público e infraestrutura. Acusações políticas e cobranças sobre temas da campanha também elevaram o tom da discussão em diversos momentos.
Ao longo dos quatro blocos do debate, Pivetta enfrentou questionamentos dos dois adversários e, ao final, afirmou que Wellington e Natasha atuaram de forma coordenada para concentrar críticas à sua candidatura. Os concorrentes, por sua vez, direcionaram ataques à gestão estadual e defenderam propostas alternativas para diferentes áreas da administração pública.
Incentivos fiscais dominam discussão
Um dos principais temas da noite foi a política de incentivos fiscais adotada pelo Estado.
Wellington Fagundes voltou a questionar benefícios concedidos a empresas e cobrou esclarecimentos sobre critérios utilizados pelo governo. Em resposta, Pivetta argumentou que os incentivos são instrumentos importantes para atrair investimentos, ampliar a industrialização e gerar empregos em Mato Grosso.
O candidato do Republicanos também levou ao debate informações sobre empresas ligadas à família de Wellington que, segundo ele, teriam recebido benefícios fiscais. O senador rejeitou a acusação e reiterou que abriria seus dados para comprovar que ele, sua esposa ou seus filhos não foram beneficiados pelos programas estaduais.
Natasha também participou da discussão e afirmou apoiar políticas de incentivo econômico, mas defendeu maior fiscalização, prazo definido para os benefícios e restrições envolvendo empresas ligadas a agentes públicos ou familiares.
Acusação de violência doméstica gera tensão
Outro momento de forte tensão ocorreu quando Natasha questionou Pivetta sobre uma reportagem exibida nacionalmente em 2021 relacionada a uma acusação de violência doméstica.
A candidata mencionou que o caso foi posteriormente arquivado e perguntou ao adversário sobre o episódio. Pivetta respondeu afirmando que foi inocentado, criticou a inclusão do tema no debate eleitoral e destacou ações da atual gestão voltadas à proteção das mulheres.
Natasha insistiu no assunto e observou que o arquivamento do processo não representaria, por si só, uma conclusão sobre culpa ou inocência. O tema retornou em outros momentos do programa e chegou a gerar direito de resposta para o candidato do Republicanos.
A controvérsia já havia sido alvo de decisões da Justiça Eleitoral durante a campanha.
Saúde concentra propostas dos candidatos
A área da saúde também ocupou espaço relevante no debate.
Questionada sobre suas prioridades de governo, Natasha afirmou que pretende reduzir filas de consultas, exames e procedimentos especializados. Ela apresentou números relacionados à demanda por atendimentos e defendeu maior eficiência na gestão do sistema público.
Pivetta respondeu destacando investimentos realizados pelo governo estadual desde 2019, citando obras e ampliações em unidades hospitalares. Segundo ele, o tempo médio de espera por atendimentos especializados foi reduzido ao longo dos últimos anos.
Wellington também apresentou propostas para o setor, defendendo a descentralização da assistência médica, a conclusão de obras hospitalares, a valorização dos profissionais da saúde e a implantação de sistemas digitais para agendamento de consultas e exames.
BRT e obras de infraestrutura entram na pauta
As obras do BRT em Cuiabá voltaram a ser tema de críticas e cobranças.
Natasha questionou atrasos em projetos estruturantes e relacionou a discussão ao andamento da ferrovia estadual. Em resposta, Pivetta afirmou que o trecho ferroviário entre Rondonópolis e Cuiabá está contratado e que pretende cobrar o cumprimento das obrigações previstas.
Sobre o BRT, o candidato destacou o avanço das obras e reconheceu os transtornos causados pelas intervenções na capital.
Wellington e Natasha também criticaram a demora na execução do sistema de transporte, defendendo maior eficiência na entrega de obras públicas.
Segurança pública e servidores
Na área da segurança, os três candidatos apresentaram propostas voltadas ao combate à criminalidade e à proteção das mulheres.
Natasha defendeu concursos públicos, ampliação do efetivo policial, fortalecimento da inteligência e criação de uma Secretaria Estadual da Mulher.
Wellington propôs investimentos em tecnologia, regionalização das ações de segurança e implantação de estruturas específicas de atendimento às vítimas.
Pivetta destacou ações desenvolvidas pela atual gestão e apontou a legislação penal como um dos desafios para o enfrentamento da criminalidade.
O funcionalismo público também esteve entre os temas debatidos. Natasha e Wellington assumiram compromisso com o pagamento da Revisão Geral Anual (RGA) reivindicada pelos servidores. Pivetta enfatizou o equilíbrio das contas estaduais e a situação financeira da previdência pública.
Últimos apelos antes da votação
Nas considerações finais, os candidatos reforçaram suas mensagens de campanha.
Wellington destacou sua trajetória política e defendeu uma gestão voltada para as pessoas. Natasha apresentou sua candidatura como alternativa para enfrentar desafios nas áreas de saúde, educação e segurança pública.
Pivetta ressaltou os resultados da atual administração estadual e defendeu a continuidade das políticas implementadas pelo governo.
O primeiro turno das eleições para o Governo de Mato Grosso está marcado para o próximo domingo, 4 de outubro, quando os eleitores irão às urnas para escolher o próximo chefe do Executivo estadual.
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