Como os candidatos ao Governo de Mato Grosso tratam as queimadas em seus Planos de Governo

A temporada de seca, baixa umidade e incêndios florestais é uma realidade recorrente no calendário de Mato Grosso, mas o problema ocupa um espaço bastante desigual nas propostas dos seis candidatos ao Governo do Estado. Juntos, os planos de governo registrados para as eleições somam 352 páginas, mas a palavra “queimada” aparece apenas três vezes em todo esse material.

A baixa frequência do termo, contudo, não significa ausência completa de abordagens sobre o tema. Uma análise detalhada dos planos mostra que quatro candidatos — Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL), Sargento Laudicério (Agir) e Maurício Coelho (Mobiliza) — incluem algum tipo de medida voltada diretamente ao enfrentamento do fogo e dos incêndios.

Diferenças de abordagem entre os candidatos

As propostas divergem significativamente em termos de abrangência:

  • Wellington Fagundes e Sargento Laudicério: Avançam para políticas estruturadas de adaptação e resiliência climática, correlacionando o problema dos incêndios às secas e ondas de calor.
  • Otaviano Pivetta: Concentra suas propostas de forma mais objetiva na prevenção e no combate direto aos incêndios florestais.
  • Maurício Coelho: Aborda os incêndios e o período de seca, mas sem estruturar um programa climático específico.
  • Doutora Natasha e Rafaell Milas: Nos planos de Natasha (PSD) e Milas (Missão), não foram identificadas políticas específicas voltadas à prevenção e ao combate de incêndios florestais. Enquanto Natasha foca em outras diretrizes ambientais, Milas menciona a estiagem apenas no contexto das limitações de calado das hidrovias.

O contraste ganha relevância em um momento em que Mato Grosso convive com o retorno da pressão sobre os órgãos ambientais durante a estiagem, estando sob período proibitivo para o uso do fogo em áreas rurais até 30 de novembro.

O detalhamento das propostas por candidato

Otaviano Pivetta

Com um programa de 49 páginas, o candidato propõe o fortalecimento da política de prevenção e combate aos incêndios florestais por meio de ampliação do monitoramento, uso de inteligência, novas tecnologias, reforço operacional e integração institucional. Para o Pantanal, o plano traz o conceito do “Pantanal Resiliente ao Fogo”, prevendo manejo integrado, manutenção de aceiros e brigadas de pronta resposta. No entanto, o documento não especifica o número de brigadas, o volume de investimentos ou metas de redução de focos.

Wellington Fagundes

O plano de 57 páginas apresenta a abordagem mais transversal entre os concorrentes. A estratégia inclui um centro estadual de inteligência ambiental para detecção de focos em tempo real com uso de satélites, drones e inteligência artificial. Além disso, propõe um Sistema Estadual de Resiliência Climática para apoiar municípios frente a secas, enchentes e ondas de calor, acompanhado de protocolos de saúde voltados a períodos de calor extremo e fumaça.

Sargento Laudicério

O documento de 68 páginas também articula diferentes frentes, prevendo monitoramento, brigadas, aceiros, cooperação regional e fortalecimento do Corpo de Bombeiros, além de protocolos de saúde pública para episódios de fumaça intensa. Embora estabeleça o indicador de melhorar o tempo de resposta aos incêndios, o plano omite metas quantitativas e orçamento detalhado.

Maurício Coelho

Com 134 páginas, o maior programa entre os candidatos reconhece a necessidade de prevenção e vincula o risco do fogo à gestão territorial e ambiental, incluindo medidas de recuperação de bacias hidrográficas e segurança hídrica.

A Ausência de orçamento e metas mensuráveis

Apesar das diferentes gradações de profundidade nos planos, um elemento é comum à maioria das propostas detalhadas: a ausência de orçamentos específicos e de metas quantitativas que permitam a fiscalização objetiva ao longo de um eventual mandato. Sem previsões de custos, cronogramas ou indicadores numéricos claros, os eleitores conseguem identificar as intenções dos candidatos, mas encontram dificuldades para mensurar a efetividade prática dos compromissos assumidos.

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