O clima seco e as temperaturas implacáveis que castigam o território mato-grossense nas últimas semanas acenderam o sinal amarelo nos estabelecimentos rurais voltados à pecuária leiteira. Com os prognósticos meteorológicos apontando a incidência de um fenômeno El Niño de forte intensidade ao longo deste trimestre — com termômetros disparando acima das médias históricas —, os produtores precisam redobrar a vigilância para evitar prejuízos severos no rendimento dos rebanhos.
Especialistas no setor advertem que os danos causados pelo chamado estresse térmico manifestam-se no organismo do gado muito antes de qualquer quebra perceptível nos volumes registrados no tanque de captação. Sinais clássicos como respiração ofegante com a boca aberta, baba em excesso, permanência em pé por longos períodos na tentativa de dissipar o mormaço e a busca incessante por áreas sombreadas e bebedouros exigem intervenção imediata do homem do campo.
Em dias de mormaço intenso, a vaca gasta uma parcela colossal de sua energia metabólica apenas para tentar regular a temperatura corporal. Com o organismo voltado à própria sobrevivência, o apetite despenca. O menor consumo de pastagem e ração resulta não apenas na queda imediata da quantidade de leite ordenhado, mas também na redução dos teores essenciais de gordura e proteína do produto.
Conforme aponta a coordenação técnica especializada na área de nutrição animal, o desconforto térmico abre brechas perigosas para o surgimento de patologias sanitárias, a exemplo de inflamações nas tetas (mastite) e distúrbios nos cascos, além de comprometer severamente a taxa reprodutiva dos animais.
Para salvaguardar o bem-estar dos animais e garantir a rentabilidade da atividade econômica, os técnicos recomendam a adoção de medidas práticas no manejo diário da fazenda:
- Hidratação Constante: Água limpa, fresca e em abundância deve ser disponibilizada permanentemente em pontos estratégicos e de fácil acesso.
- Sombra e Arejamento: Garantir abrigos sombreados adequados e evitar a exposição prolongada do gado ao sol escaldante, sobretudo nos momentos que antecedem a ordenha.
- Alimentação nos Horários Brutos: O fornecimento de volumoso e ração deve ser concentrado nos períodos de menor temperatura, como nas primeiras horas da manhã e no final da tarde.
- Ajuste Nutricional: Diante do menor consumo voluntário, a dieta deve ser enriquecida com elementos de maior densidade energética, fibras de alta digestibilidade e reposição rigorosa de minerais como sódio e potássio. O emprego de suplementos específicos à base de tamponantes e leveduras também auxilia na proteção do sistema digestivo dos animais contra os efeitos da quentura.
A recomendação unânime dos profissionais que acompanham o setor produtivo é clara: o criador não deve aguardar a quebra na produção para tomar providências. A observação diária do comportamento do rebanho e o ajuste preventivo do manejo são as únicas garantias de sobrevivência e lucro na atividade leiteira em tempos de calor extremo.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.