Já está cientificamente provado que Jesus não nasceu no mês de dezembro, mas isso é assunto para outro artigo e mesmo porque nascido em que mês tenha sido, não interfere na sublime missão que ele cumpriu quando por aqui esteve e muito menos muda o teor do que escrevo abaixo.
Foi um sábio homem que há 2.000 anos, embora tão jovem, quando falava, muitas vezes uma única palavra já era suficiente para balançar a estrutura de qualquer pessoa e tocar profundamente o coração e a mente de todos ao mesmo tempo. Foi Ele que nos apontou com muita clareza o caminho da espiritualidade para nos desvencilharmos das armadilhas com que o mundo nos surpreende em quase tudo.
Qual o rumo a ser seguido, conforme seus exemplos e palavras? Humildade! Esta uma virtude que anda muito esquecida por quase todos nós. Muitos com a desculpa do corre corre do dia a dia, outros com atenuantes outros e com isso nos esquecendo do exemplo maior que Jesus nos deu. Foi pela humildade que ele se tornou o mestre dos mestres, o sábio dos sábios, o médico dos médicos e tornou-se o profeta dos profetas. Por que isso? Porque nunca se vangloriou ou quis se mostrar como tal.
E foi exatamente esse profeta que nos ensinou que sem humildade jamais poderemos ser solidários para com os nossos semelhantes, pois essa virtude nivela todos nós, nos ensina que somos todos iguais e nos induz a auxiliarmos uns aos outros. Sem humildade apenas nos enganamos a nós mesmos, como se vestíssemos uma roupa para ocultar os defeitos do corpo. E nunca é demais repetir e lembrar dos exemplos que Jesus nos deu, quando atendia dos mais humildes aos mais poderosos sem estabelecer limites ou diferenças.
E o que dizer do orgulho? Eis aí o terrível adversário da humildade.
Quando Jesus disse: Bem aventurados os pobres de espírito, os mansos, os justos, os limpos de coração, os misericordiosos, pois esses herdarão o reino dos céus, Ele não quis dizer que somente esses herdariam a glória eterna, Ele apenas afirmava nas entrelinhas, que aqueles que centralizam sua vida aqui na terra em situações transitórias, como riqueza, títulos, poder, fama e beleza e se acham grandes aqui na terra e que imaginam que os títulos e riquezas são a eles conferidos pelos seus méritos, esquecem-se dos mais humildes e aí terão dificuldades para encontrar o caminho da verdade e da verdadeira vida.
Quantos que ao conseguirmos um diploma de nível superior, um cargo de relevo na administração pública, no meio político, ou em qualquer outro campo da atividade humana, até mesmo no meio religioso, sendo um padre, um bispo, um cardeal, um pastor, um médium, se julgam superiores em tudo? – Eu pergunto: Deus nos distingue pelos títulos que conseguimos? Pelos bens materiais que juntamos? Pela beleza do corpo físico que possuímos? Acaso o corpo do que se acha importante e o corpo do mais humilde são diferentes? Que engano absurdo! Tudo que vem de Deus, embora simples, é muito grande e sábio e o orgulho e soberba é que faz com que pensemos que somos diferentes dos demais irmãos.
Quantos de nós que sob nosso teto confortável, ao abrigo do frio e das intempéries nos esquecemos dos nossos semelhantes que sofrem ao relento? Quantos de nós com a mesa farta, nos esquecemos dos irmãos que passam fome, muitas vezes tão próximos, batendo em nossa porta e que por preguiça ou comodidade negamos um auxílio?
Sei que muitos ou ouvirem tais questionamentos, sentem o orgulho ferido e revoltados, achando que operarão uma mudança interior, concordam em dar esmolas aos mais necessitados, mas sem se quer tocar nas mãos daqueles a quem acha que está ajudando, esquecendo-se completamente de um gesto fraternal. Isso nunca! Dirá, ou ao menos pensará. Nunca. Eu, de sangue nobre, grande na terra, igual a esses miseráveis, cobertos de trapos e necessitados? Se fossemos iguais, por que Deus colocou-me tão no alto e ele tão embaixo? É certo que as nossas vestes não sejam iguais ao do maltrapilho e pobre, mas se despidos, que diferença haverá entre nós? A nobreza do sangue, dirá o orgulhoso. Porém, convém lembrar que a química e a ciência ainda não descobriram e não descobrirão, jamais, a diferença entre o sangue dos que se acham superiores dos daqueles mais humildes.
São eternas as riquezas? Não desaparecem quando se estingue o corpo, envoltório perecível do espírito? É necessário que nos lembremos sempre que somos espíritos mergulhados na matéria e não seres materiais carregando um espírito.
Ah, se pudéssemos lançar sobre nós mesmos um pouco de humildade. Ah, se pudéssemos lembrar sempre que a morte não poupará nenhum de nós; que os nossos títulos cobertos de orgulho e vaidades não nos preservarão da morte do corpo físico, o que poderá acontecer hoje, amanhã ou a qualquer hora. Enterremos, pois, nosso orgulho antes que seja tarde!
Na balança divina somos todos iguais. Só as virtudes nos distinguem aos olhos de Deus.
Todos os Espíritos são da mesma essência e todos os corpos da mesma massa. Nossos títulos e nossos nomes não nos modificam em nada perante Deus. Eles permanecerão no túmulo e não contribuirão para que possamos gozar da venturo dos eleitos. Estes, na esperança, na caridade, na fé e de consequência no amor que nos desperta sobremaneira a virtude da humildade, é que não darão os verdadeiros títulos da nobreza!!
Parece que todo ser humano tem uma certa necessidade de autoafirmação. Precisamos sentir-nos valorizados, importantes e até mesmo necessários. Sentimo-nos bem quando fazemos algo e as pessoas reconhecem o que fazemos. Até certo ponto, enquanto não há exageros, não há nada de errado com esta questão. O problema começa quando isso vira uma obsessão: “Só farei algo se valer à pena para ser reconhecido.”
Há certas pessoas que passam a vida planejando estrategicamente o que farão, com o propósito único de receberem reconhecimento dos que estão ao seu redor. E isto acontece inclusive em ambientes cristãos. O Apóstolo Paulo contrasta este desejo ambicioso com a seguinte exortação: “Humildemente considerem os outros superiores a si mesmos”. Alto lá! Dirão muitos. Paulo não pode estar falando sério. E como fico eu nesta história? Que Deus está em primeiro lugar até é possível assimilar e às vezes nem tanto, mas se eu considerar os outros superiores a mim mesmo, ficarei então por último? Como fica minha autoestima?
Diante de pensamentos assim, Paulo é taxativo: “Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” Vejamos bem: Cristo estava com o Pai desde a eternidade, cercado de toda glória possível. No tempo apropriado ele se torna um ser humano, como eu e você, para vir a este mundo morrer numa cruz por nós, mesmo sabendo que muitos de nós não Lhe corresponderíamos.
Para que tudo isso? Com que propósito? Por necessidade de autoafirmação? Para receber glória? Com certeza, não, pois sendo um Espírito de Luz já estava exaltado sobre tudo, mesmo que os textos afirmem que Deus o tenha exaltado à mais alta posição. Sua atitude foi movida por amor e não por ambição. Sua missão foi inspirada por HUMILDADE e não por EGOÍSMO.
E disse, ainda, o Grande Mestre: “Amem-se uns aos outros como eu os amei!
Deixo a última pergunta: Quais são as reais motivações do que cada um de nós fazemos?
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