O Peso Crítico do Plástico: Cartão Lidera o Endividamento
O diagnóstico detalhado pelo IPF-MT aponta que o ecossistema de consumo na capital continua fortemente ancorado no crédito rotativo e parcelado. O cartão de crédito mantém-se soberano e isolado na liderança absoluta como a principal origem das dívidas, respondendo por expressivos 87,6% dos registros levantados pela pesquisa.
A dependência dessa modalidade, somada aos juros elevados, funciona como uma engrenagem que prolonga o ciclo de vulnerabilidade das contas. Atrás do cartão, aparecem os carnês (20,3%), os financiamentos de veículos (7,8%), o crédito pessoal (7,5%), o crédito consignado (5,7%) e os compromissos de financiamento imobiliário (5,1%).
Avaliação Econômica e o Alerta do Setor Produtivo
Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves, a dinâmica atual exige dos consumidores uma mudança drástica de comportamento perante o crédito de curto prazo. O dirigente aponta que a predominância do cartão entre os inadimplentes evidencia um risco latente para a saúde financeira regional.
“A predominância do cartão de crédito entre as famílias endividadas reforça a necessidade de um uso mais planejado dessa modalidade, uma vez que seus custos financeiros podem prolongar o ciclo de endividamento”, alertou Gonçalves.
O impacto dessa retenção de renda é direto no comércio local: com fatias consideráveis do orçamento familiar comprometidas com o pagamento de passivos anteriores, o potencial de expansão do consumo de novos bens e serviços na capital sofre limitações severas.
Panorama do Perfil e Perspectiva de Quitação
O levantamento da Peic também mapeou o horizonte de perspectiva e o tempo de permanência no vermelho enfrentado pelos consumidores locais:
- Raio-X do Endividamento: 49,1% dos entrevistados declaram possuir poucas dívidas; 26,9% classificam-se como medianamente endividados; 7,3% admitem nível elevado de endividamento; e apenas 16,7% afirmam estar totalmente livres de compromissos vincendos.
- Tempo de Dívida: A maior parcela (38,3%) convive com débitos há mais de um ano; 32,0% estão nessa condição entre três e seis meses; 18,1% acumulam débitos há menos de três meses; e 11,1% registram prazos de seis meses a um ano.
- Expectativa de Pagamento: O pessimismo quanto à liquidação total dos débitos em atraso apresentou leve alta, passando de 5,8% em junho para 6,2% em julho o grupo de cuiabanos que descarta completamente a possibilidade de quitar o que deve.
Enquanto o cenário macroeconômico local tenta estabilizar a relação entre renda e consumo, o desafio para as famílias cuiabanas permanece o de estancar o avanço do crédito caro antes que a recuperação da saúde financeira seja totalmente comprometida.
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