O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso (Gaeco-MT) participou ontem, quinta-feira (24) de uma grande operação interestadual que apura um suposto esquema de lavagem de capitais envolvendo empresas, fundos de investimento, holdings e estruturas financeiras utilizadas para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento de recursos.
Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação foi coordenada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e mobilizou equipes especializadas de diversos estados brasileiros. Em Mato Grosso, os trabalhos contaram ainda com o apoio da Receita Federal e do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam).
Entre os alvos da investigação está uma distribuidora de combustíveis localizada em Várzea Grande, onde foi cumprido mandado de busca e apreensão para coleta de documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos considerados relevantes para o avanço das apurações.
Investigação mira estrutura financeira complexa
Segundo os investigadores, o esquema sob análise teria utilizado uma rede de empresas e instrumentos financeiros para esconder os verdadeiros beneficiários de operações empresariais milionárias.
As apurações apontam que fundos de investimento, holdings patrimoniais, fintechs e empresas de fachada teriam sido empregados para criar camadas sucessivas de proteção patrimonial, dificultando a identificação da origem dos recursos e dos responsáveis pelas movimentações financeiras.
A operação é considerada um desdobramento da Operação Carbono Oculto, investigação que já vinha reunindo informações sobre estruturas empresariais suspeitas espalhadas por diferentes estados do país.
Gaeco reforça combate ao crime organizado
A participação do Gaeco-MT foi considerada estratégica para o cumprimento das medidas judiciais em território mato-grossense. O grupo é especializado na investigação de organizações criminosas e atua de forma integrada com forças policiais, órgãos de inteligência e instituições de controle financeiro.
Nos últimos anos, o Gaeco tem ampliado sua atuação em investigações relacionadas a lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e crimes financeiros complexos, especialmente aqueles que envolvem grandes movimentações de recursos e estruturas empresariais sofisticadas.
O objetivo das buscas realizadas nesta fase da operação é reunir provas que permitam mapear o fluxo financeiro investigado e identificar possíveis conexões entre empresas, investidores e demais envolvidos.
Movimentações bilionárias chamam atenção dos investigadores
De acordo com informações divulgadas pelo Ministério Público paulista, uma das frentes da investigação envolve uma operação avaliada em aproximadamente R$ 370 milhões relacionada a direitos creditórios de uma usina sucroenergética.
As análises também identificaram uma empresa financeira que teria movimentado cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Esses valores passaram a ser examinados pelos órgãos responsáveis para verificar a legalidade das operações e a origem dos recursos.
Os investigadores trabalham para esclarecer se parte dessas movimentações foi utilizada para estruturar negócios empresariais de grande porte por meio de mecanismos destinados a ocultar seus verdadeiros controladores.
Operação mobilizou vários estados
Ao todo, foram expedidos 29 mandados de busca e apreensão contra 13 pessoas físicas e 24 empresas. A ação contou com a participação de integrantes dos Gaecos de Mato Grosso, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.
A atuação conjunta permitiu o compartilhamento de informações e a execução simultânea das medidas judiciais, ampliando a capacidade de coleta de provas e reduzindo o risco de destruição de documentos ou ocultação de evidências.
Apurações continuam
O material recolhido durante a operação será submetido à análise técnica dos investigadores. Documentos, registros financeiros, contratos, equipamentos eletrônicos e demais elementos apreendidos poderão auxiliar na reconstrução das movimentações realizadas ao longo dos últimos anos.
As autoridades destacam que a investigação ainda está em andamento e busca esclarecer a participação de cada envolvido, bem como identificar a origem e o destino dos recursos movimentados.
Com a atuação integrada entre Ministério Público, Gaecos estaduais, Receita Federal e forças de segurança, a Operação Crédito Oculto representa mais uma ofensiva contra estruturas financeiras suspeitas de serem utilizadas para ocultação patrimonial e lavagem de capitais em larga escala.
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