A Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso manteve a prisão preventiva de Ryan Carlos dos Santos, acusado pela Polícia Civil de integrar um esquema que teria retirado cerca de 701,8 toneladas de soja da Fazenda Rincão, em Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso. A carga, estimada em aproximadamente R$ 1,1 milhão, teria sido retirada em 14 carregamentos entre 2 e 9 de maio de 2025.
O colegiado rejeitou por unanimidade o habeas corpus apresentado pela defesa. O acórdão foi publicado nesta quarta-feira (1º), mantendo Ryan preso preventivamente desde 18 de março de 2026 enquanto a ação penal, que reúne 11 acusados, segue em tramitação.
A defesa alegou excesso de prazo e argumentou que o acusado tem residência fixa, trabalho lícito e é responsável pelo sustento da família. O relator, desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, entendeu, porém, que a complexidade do processo justifica o andamento ainda em curso.
Segundo o TJMT, o caso envolve diversos réus, diferentes acusações, a localização e citação de corréus e a análise de provas digitais. Os magistrados também afirmaram que não houve paralisação do processo nem demora injustificada atribuível ao Poder Judiciário.
Conforme o acórdão, a denúncia foi apresentada e recebida depois da prisão de Ryan, houve resposta à acusação, reavaliação da prisão preventiva e continuidade dos atos processuais. O colegiado destacou ainda que residência fixa, trabalho e outras condições pessoais favoráveis, isoladamente, não determinam a revogação da prisão.
Investigação aponta 14 cargas retiradas
De acordo com a Polícia Civil, aproximadamente 701.820 quilos de soja teriam saído da Fazenda Rincão, propriedade da GGF Agro Ltda., sem autorização regular. O prejuízo informado pela empresa foi calculado em cerca de R$ 1,1 milhão.
O procedimento habitual previa que os caminhões somente entrassem na propriedade após autorização da compradora, a Bunge Alimentos S.A.. A liberação deveria indicar contrato, veículo, motorista, quantidade de soja e destino da carga.
A investigação aponta que caminhões sem autorização teriam acessado a fazenda e deixado o local carregados. Ryan, que trabalhava como balanceiro, é acusado de permitir a entrada de veículos que não constavam nas autorizações, deixar de fazer verificações obrigatórias, registrar manualmente placas adulteradas e inserir no sistema classificações de cargas que, segundo a apuração, não teriam sido realizadas.
A Polícia Civil também investiga a possível participação de classificadores de grãos, motoristas e responsáveis pela movimentação financeira. Emerson Cerqueira Gomes é apontado pelos investigadores como articulador externo, com atuação na coordenação de motoristas, obtenção de ordens falsas de carregamento e realização de pagamentos.
As apurações incluem ainda o possível uso de contas bancárias de terceiros para movimentar os valores obtidos e dificultar a identificação da origem do dinheiro. Os investigados respondem, em tese, por crimes como furto qualificado, associação criminosa, falsificação de documento particular, uso de documento falso e lavagem de dinheiro.
O TJMT ressaltou que a decisão sobre o habeas corpus não representa conclusão definitiva sobre a responsabilidade dos acusados. A ação penal continua em tramitação na Justiça de Campo Novo do Parecis.
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