A StoneX está estruturando projetos para adaptar usinas de cana e permitir a produção de etanol de milho durante a entressafra em Mato Grosso e São Paulo. A proposta prevê investimentos de R$ 400 milhões a R$ 1,2 bilhão por unidade, podendo superar esse valor em plantas de maior porte.
A iniciativa mira principalmente áreas onde as fronteiras de produção de cana e milho se aproximam. Segundo a empresa, a ideia é aproveitar a estrutura industrial já existente para manter as usinas em operação durante os meses em que não há cana disponível para processamento.
“A planta da cana é sazonal. Trabalha de janeiro a maio ou junho e fica seis ou sete meses parada. Tem de esperar a cana crescer novamente para cortar e fazer um novo ciclo. A gente viu a oportunidade de fazer um investimento fabril relevante para que possa operar com milho nessa entressafra”, afirma José Luiz Mendes, consultor de estratégia e M&A da StoneX.
O desenvolvimento dos projetos ocorre em parceria com a Aplus Engenharia e a Prata Biosoluções. A avaliação começa pela oferta e pelo custo do milho na região da usina. Depois, os parceiros analisam a possibilidade técnica de adaptar a estrutura industrial existente. A última etapa envolve a organização financeira e a busca por capital.
A StoneX ressalta que cada empreendimento precisa ser analisado individualmente. Indicadores como o prazo de retorno do investimento e as condições de cada safra ainda dependem de informações que estão sendo levantadas pela empresa.
O projeto acompanha a expansão do etanol produzido a partir do milho no país. De acordo com a Conab, a produção para a safra 2026-2027 foi estimada em 11,91 bilhões de litros, crescimento de 17% em relação ao ciclo anterior. Considerando também o etanol de cana, a produção nacional projetada chega a 41,88 bilhões de litros.
O modelo de usina flex já está em funcionamento no Brasil. Conforme a Unica, 12 unidades produzem etanol a partir de cana e milho, sendo dez no Centro-Sul e duas no Nordeste. Essas plantas podem responder por até 6% do etanol nacional e produziram entre 1,8 bilhão e 2,2 bilhões de litros no ciclo 2025/26.
O Mato Grosso concentra parte relevante dessas unidades, justamente por reunir áreas de cultivo de cana e milho. Para Felipe Prata, CEO da Prata Biosoluções, o movimento representa uma nova frente de negócios para o setor sucroenergético. “É o próximo boom dentro do setor sucroenergético. Essa é a nossa análise, de estudar o milho como alternativa para uma alavancagem setorial em termos de negócios. Pode devolver o protagonismo ao segmento sucroenergético”, afirmou à Folha em 25 de setembro de 2026.
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