No centro de uma queda de braço nacional sobre o valor cobrado nas bombas, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo-MT) decidiu subir o tom. Em manifesto público divulgado recentemente, a entidade rechaçou o que chamou de “uso político e demagógico” da oscilação de preços neste período eleitoral e exigiu que o pente-fino dos órgãos fiscalizadores não pare apenas na fachada dos postos revendedores.
Para o sindicato, culpar o comércio varejista ignora a lógica estrutural do mercado. A argumentação aponta que os postos funcionam estritamente como elos finais de repasse, espremidos por pressões macroeconômicas acumuladas ao longo de setembro — como a disparada do barril de petróleo no exterior, o fim da safra de cana-de-açúcar no Sudeste, a retração nas importações de diesel e a alta na mistura de etanol. Além do encarecimento do produto, a categoria relata dificuldades operacionais e até contingenciamento de pedidos por parte das distribuidoras.
Enquanto o setor cobrava isonomia nas investigações, o cerco federal se fechou. Na noite de 21 de setembro, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, disparou 70 processos administrativos sancionadores contra estabelecimentos comerciais. A investida ocorreu após relatórios da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) — respaldados por cerca de 330 denúncias — apontarem margens de lucro infladas em mais de 70% em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo e Paraná. Os postos autuados agora têm um prazo de 15 dias para apresentar defesa, sob o risco de multas que podem alcançar a cifra de R$ 14 milhões conforme o Código de Defesa do Consumidor.
A ofensiva do governo federal ganhou novos desdobramentos nesta terça-feira (22), com a convocação de uma reunião nacional de emergência com órgãos de proteção ao consumidor para alinhar diretrizes de fiscalização em todo o território nacional. Embora o Sindipetróleo-MT garanta que a categoria não se opõe às vistorias, a exigência do sindicato mato-grossense permanece clara: para que a fiscalização seja justa, a lupa do Estado precisa alcançar refinarias, usinas, importadores e grandes distribuidoras.
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