Mais de 125 mil nascentes já foram mapeadas em 67 municípios de Mato Grosso pelo programa Guardião das Águas, desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT). Do total avaliado, 95% apresentam condições consideradas boas ou ótimas de conservação.
Os números foram destacados pela entidade neste domingo (27), Dia Mundial dos Rios, em razão da importância das nascentes para a formação dos cursos d’água que abastecem cidades, comunidades e áreas produtivas.
Mato Grosso participa da formação de três das maiores bacias hidrográficas do país: Amazônica, Tocantins-Araguaia e Paraguai. Esta última tem papel direto na alimentação do Pantanal. Muitas das nascentes estão dentro de propriedades rurais, onde o programa acompanha as condições de conservação.
De acordo com Nathan Belusso, vice-coordenador da Comissão de Sustentabilidade da Aprosoja MT, a preservação pode contribuir tanto para os recursos hídricos quanto para a atividade agrícola.
“O produtor mato-grossense busca preservar não somente as nascentes, mas todo o leito ao longo do rio. Nas propriedades onde se cultiva a agricultura, é possível encontrar nascentes extremamente bem preservadas e faixas de preservação de 50 a 100 metros ao longo do rio. Isso permite que o rio mantenha o seu curso por um longo período e preserva o microclima da região, o que favorece as chuvas, reduz a temperatura e aumenta a produção, trazendo viabilidade econômica ao produtor e incentivando ainda mais essa preservação”, afirma Belusso.
Programa acompanha propriedades rurais
O Guardião das Águas começou a ser desenvolvido em 2018 para identificar, mapear e classificar o estado de conservação das nascentes existentes em propriedades rurais. Para isso, utiliza geotecnologias e sensoriamento remoto, reunindo informações sobre as áreas onde a agricultura está instalada.
Segundo Belusso, o projeto também busca produzir dados sobre a relação entre atividade agrícola e conservação dos recursos naturais. “Agricultura e preservação são aliadas, são irmãs. O ganha-pão do produtor rural é a natureza, é a floresta, é a terra. Fazer um bom manejo e uma boa preservação contribui para o aumento da produtividade”, diz.
O representante da entidade afirma ainda que parte das intervenções de recuperação ocorre quando o produtor identifica uma área que precisava de cuidados. “Onde temos agricultura, a propriedade tem, quase na totalidade, a nascente totalmente preservada. E onde não estava preservada, era por desconhecimento. Com o conhecimento, o produtor assume uma postura afirmativa e faz a restauração. Isso traz uma comprovação científica de que o produtor preserva não somente a nascente, mas todo o leito do rio”, ressalta.
Com os dados reunidos desde o início do programa, a Aprosoja MT mantém um levantamento sobre as nascentes existentes nas propriedades rurais e utiliza as informações para demonstrar as condições de conservação dos recursos hídricos no estado.
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