Politec identifica terceira e última vítima de queda de avião clandestino em Mato Grosso

A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) concluiu a identificação de todas as vítimas do acidente aéreo ocorrido no início de setembro em uma área de pastagem no município de Água Boa (a 625 km de Cuiabá). O último corpo resgatado foi oficialmente identificado como sendo de Federico Antônio Gill Lopez, de 41 anos.

Federico era natural de Assunção, no Paraguai, assim como outra vítima da tragédia, Luiz Alberto Martinez, de 44 anos. O terceiro ocupante e vítima fatal do acidente foi o empresário Vanderlei Sattler, de 65 anos. De acordo com a Politec, o reconhecimento de Federico foi realizado por um papiloscopista da unidade de Água Boa por meio do confronto de impressões digitais.

O acidente e os indícios de irregularidade

A queda da aeronave modelo Cessna 402 aconteceu na manhã do dia 10 de setembro. Após o impacto no solo, o aparelho foi tomado por um incêndio de grandes proporções e ficou totalmente destruído, após moradores da região ouvirem um forte estrondo.

As investigações conduzidas pela Polícia Civil revelaram um cenário de forte irregularidade em torno do voo. O avião havia sido adquirido há cerca de quatro meses e não possuía registro perante as autoridades aeronáuticas brasileiras, operando sem matrícula oficial, sem o processo de nacionalização concluído e sem certificado de aeronavegabilidade.

Aeronave teria decolado de um aeródromo em Goiânia (GO) com destino ainda desconhecido

Suspeita de ligação com tráfico internacional

Um detalhe que chama a atenção no inquérito policial é que a aeronave utilizava o mesmo prefixo de um avião norte-americano apreendido pela Polícia Federal em 2017, em Goiânia (GO), em uma ocorrência que na época resultou na apreensão de drogas escondidas no assoalho.

O avião decolou de Goiânia com três paraguaios a bordo. O levantamento de itinerário feito pelas autoridades aponta que a rota provável indicava deslocamento em direção a países vizinhos, com possível destino à Venezuela.

A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a origem e o destino exato do voo, bem como a confirmação do envolvimento da aeronave em redes de tráfico internacional de drogas. O proprietário do bimotor já foi identificado e responderá por operar veículo aéreo sem habilitação legal e demais crimes conexos.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.