O estado de Mato Grosso mantém a liderança absoluta na capacidade estática de armazenagem de grãos no Brasil, mas o volume de silos e armazéns disponíveis será suficiente para estocar apenas 53% da safra projetada para este ano de 2026. Os dados constam no recém-divulgado Anuário Agrologístico 2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que aponta um parque estático estadual de aproximadamente 56,1 milhões de toneladas, montante considerado insuficiente para acompanhar o ritmo acelerado de expansão da produção agrícola.
Embora o estado apareça na primeira colocação do ranking nacional em infraestrutura de armazenagem, o levantamento demonstra que Mato Grosso enfrenta um déficit estrutural crescente. O descompasso ocorre porque o avanço produtivo das lavouras tem superado com ampla margem os novos investimentos privados e públicos na construção de silos nas propriedades e armazéns graneleiros.
Queda histórica na relação entre armazenagem e safra
De acordo com o histórico detalhado no anuário da Conab, a relação percentual entre a capacidade estática de armazenagem e o volume total colhido em solo mato-grossense sofreu uma retração drástica ao longo das últimas décadas, despencando de 97% em 2010 para a estimativa de 53% em 2026.
Na prática diária do agronegócio, essa escassez de espaço força muitos produtores rurais a comercializarem grande parte de suas safras logo nos primeiros dias após a colheita — período em que os preços costumam ser menos favoráveis — ou a recorrerem a alternativas provisórias de armazenamento a céu aberto, como os silos-bolsa.
Desafios regionais e dependência logística
O estudo técnico da Conab destaca que o cenário de gargalo na estocagem é ainda mais crítico nas regiões Norte e Leste de Mato Grosso. Nesses locais, microrregiões específicas registram um déficit logístico que supera a marca de 5 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem.
Segundo a autarquia federal, essa limitação física gera impactos diretos na economia agrícola:
- Ampliação drástica da dependência do transporte rodoviário em períodos de pico de escoamento;
- Redução expressiva do poder de barganha e negociação dos agricultores durante a janela de maior oferta no mercado;
- Necessidade premente de novos aportes financeiros para a construção de armazéns estáticos.
Necessidade de investimentos e vantagens do Arco Norte
Para mitigar os impactos do déficit, a Conab reforça que o cenário econômico demanda políticas públicas e privadas voltadas à expansão de linhas de crédito facilitadas para armazenagem dentro das propriedades rurais, modernização da infraestrutura logística e diversificação dos modais de transporte, com ênfase nas ferrovias e hidrovias.
O anuário também traz um panorama positivo sobre os custos de escoamento, reiterando a importância estratégica do Arco Norte. Os dados indicam que o frete rodoviário de grãos partindo do município de Sorriso com destino ao porto fluvial de Santarém (PA) permanece, em média, R$ 99,16 por tonelada mais barato do que a tradicional rota de escoamento entre Sorriso e o Porto de Santos (SP), competitividade que continua impulsionando o fluxo de cargas pelos portos nortistas.
Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.