Mato Grosso exporta para o mundo, mas apenas 6 em cada mil pequenos negócios vendem para fora do país

Mato Grosso lidera rankings nacionais de exportação, movimenta bilhões de dólares com soja, milho, algodão e carne bovina e mantém relações comerciais com dezenas de países. Mas uma nova pesquisa revela um contraste que chama atenção: enquanto o estado é uma potência global do agronegócio, apenas 0,6% dos pequenos negócios mato-grossenses exportam seus produtos ou serviços para o exterior.

O dado faz parte de um levantamento realizado pelo Sebrae Mato Grosso com 831 empresários de diferentes setores da economia e expõe uma realidade pouco conhecida fora dos círculos empresariais. Na prática, significa que apenas seis em cada mil pequenos empreendimentos conseguem ultrapassar as fronteiras brasileiras para vender seus produtos em mercados internacionais.

O resultado surpreende porque o estado vive uma das fases mais fortes de sua história econômica. Mato Grosso bate recordes sucessivos de produção agrícola, amplia sua participação nas exportações nacionais e se consolida como um dos principais motores do agronegócio brasileiro.

Mesmo assim, a cultura exportadora ainda não chegou à maioria das micro e pequenas empresas.

O paradoxo de Mato Grosso

Os números da pesquisa mostram uma realidade curiosa.

Enquanto apenas 0,6% exportam atualmente, cerca de 14% dos empresários entrevistados afirmam ter interesse em vender para outros países.

Isso significa que existe uma parcela relevante de empreendedores que enxerga oportunidades no mercado internacional, mas ainda não conseguiu transformar esse interesse em negócios concretos.

O dado revela uma espécie de “exportador adormecido” dentro da economia mato-grossense.

São empresas que acreditam no potencial de seus produtos, mas encontram dificuldades para dar os primeiros passos.

O principal obstáculo não é o dinheiro

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a maior barreira apontada pelos empresários não está relacionada à falta de recursos financeiros.

Segundo o estudo, o principal problema é o desconhecimento sobre como funciona o processo de exportação.

Questões como documentação internacional, formação de preços, logística, contratos, tributação e identificação de compradores estrangeiros ainda representam desafios para grande parte dos empreendedores.

A pesquisa mostra que muitos empresários sequer sabem por onde começar.

Entre aqueles que demonstraram interesse em exportar, impressionantes 78% afirmaram não se sentir preparados para atuar no mercado internacional.

Empresas do interior já estão mostrando o caminho

Apesar dos desafios, algumas histórias mostram que a internacionalização não está restrita às grandes corporações.

Em Sinop, no norte de Mato Grosso, a Direta Madeiras conseguiu transformar a exportação em parte de sua estratégia de crescimento.

Especializada na produção de decks de madeira, a empresa acumula décadas de experiência e encontrou no mercado internacional uma oportunidade para ampliar sua atuação.

O caso demonstra que pequenas e médias empresas podem conquistar clientes fora do Brasil quando possuem planejamento, estrutura e acesso às informações corretas.

Exportação deixou de ser assunto apenas do agronegócio

Outro aspecto que chama atenção é a mudança no perfil dos negócios com potencial exportador.

Hoje, vender para o exterior não é uma possibilidade exclusiva de indústrias ou empresas ligadas às commodities agrícolas.

Produtos alimentícios, móveis, tecnologia, moda, artesanato, cosméticos, serviços especializados e soluções digitais já encontram espaço em mercados internacionais.

Com o avanço das plataformas digitais, marketplaces globais e ferramentas de comércio eletrônico, empresas localizadas em cidades do interior passaram a ter acesso a compradores que antes estavam fora de alcance.

Uma oportunidade bilionária ainda pouco explorada

Especialistas apontam que a internacionalização dos pequenos negócios pode representar uma nova fronteira de crescimento para a economia mato-grossense.

Enquanto grandes exportadores já possuem estruturas consolidadas, milhares de pequenas empresas ainda observam o mercado externo à distância.

A pesquisa sugere que existe um potencial significativo aguardando desenvolvimento.

Se parte dos 14% de empresários que demonstram interesse conseguir superar as barreiras de conhecimento e preparação, Mato Grosso poderá ampliar sua presença internacional não apenas através do agronegócio, mas também por meio de pequenos negócios espalhados por cidades de todas as regiões do estado.

O desafio agora não é descobrir se existe potencial exportador. Os números mostram que ele existe.

A questão passa a ser quantos empreendedores conseguirão transformar esse interesse em contratos, clientes e negócios além das fronteiras brasileiras.

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