Entre estradas e salas de aula: Mato Grosso salta para o 9º lugar em ranking nacional, mas vê gargalos municipais expostos

Relatório 2026 do CLP mostra avanço impulsionado por obras, caixa no azul e pleno emprego; saneamento e faltas escolares acendem sinal de alerta.

Em um cenário nacional de incertezas e desafios fiscais, Mato Grosso voltou a demonstrar o vigor de sua economia ao consolidar sua posição no topo da gestão pública brasileira.

Segundo a edição 2026 do Ranking de Competitividade dos Estados, produzido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), o estado subiu uma posição em relação ao ciclo anterior e conquistou a 9ª colocação geral entre as 27 unidades da Federação.

Mais do que uma marca estatística, o resultado traduz uma transformação perceptível no dia a dia do mato-grossense: estradas reformadas, caixa público equilibrado e um mercado de trabalho aquecido, operando próximo ao pleno emprego. Contudo, o raio-x técnico traz alertas severos e cobra eficiência no saneamento urbano e na retenção escolar nos municípios.

Estradas, caixa forte e trabalho: os motores do avanço

O grande destaque da edição de 2026 foi a arrancada histórica na área de Infraestrutura. Mato Grosso deu um salto de 11 posições, alcançando o 4º lugar do país no setor. O avanço é fruto direto da expansão e asfaltamento de rodovias estaduais, ampliação da cobertura de energia elétrica e redução do custo da tarifa de saneamento básico nas concessões.

Paralelamente, a responsabilidade com as contas públicas manteve o estado no pódio da Solidez Fiscal, onde conquistou a 2ª posição nacional. Na prática, a categoria demonstra que a gestão estadual gasta com responsabilidade, mantendo capacidade para investir em obras com recursos próprios e sustentabilidade para os próximos anos.

No pilar de Capital Humano, Mato Grosso cravou o 3º lugar no Brasil. O relatório aponta que o trabalhador mato-grossense desfruta de uma das menores taxas de desemprego do país — especialmente na parcela de trabalhadores que historicamente passavam mais de dois anos fora do mercado. A alta formalização e a busca por qualificação profissional completam o cenário de prosperidade no campo e na cidade.

A Segurança Pública também deu sinais de evolução ao subir sete posições e atingir o 15º lugar, impulsionada pela redução de presos sem condenação e pela eficiência nos indicadores de atuação da Justiça Criminal.

O contraste: Gargalos no lixo, saneamento e faltas nas salas de aula

Nem só de comemoração vive o diagnóstico. O relatório do CLP expõe um forte contraste entre o crescimento econômico e a entrega de serviços básicos urbanos sob responsabilidade das prefeituras.

  • Sustentabilidade Ambiental (19º lugar): O estado amargou queda puxada pela destinação inadequada de resíduos sólidos (lixões a céu aberto), deficiência no tratamento de esgoto nas cidades e falhas na gestão de serviços urbanos;
  • Educação (11º lugar): Houve recuo nos indicadores gerais de atendimento da educação infantil — etapa gerida pelas secretarias municipais — e um aumento preocupante na taxa de evasão e faltas dos estudantes (frequência escolar), tanto na rede pública quanto na privada.

Apesar da queda na nota geral da educação, o levantamento registrou que o desempenho acadêmico dos alunos que permanecem na escola evoluiu, apresentando alta nas notas do Ideb e nos resultados do Enem.

Diante do raio-x, a equipe técnica do Governo do Estado confirmou que os microdados do relatório já foram encaminhados para as secretarias setoriais para reorientar metas e formular ações integradas com os municípios para os próximos ciclos.

Google Notícias
Siga o CenárioMT

Receba em primeira mão nossas notícias, tendências e exclusivas.