Uma grande ofensiva deflagrada na manhã desta terça-feira (21) de julho de 2026 mirou um esquema gravíssimo de chantagem financeira e pressão psicológica operado no interior da administração pública estadual. A Polícia Civil de Mato Grosso colocou nas ruas a Operação Laço Oculto com o objetivo de cumprir 14 ordens e medidas cautelares contra investigados por um golpe de extorsão que causou prejuízo astronômico superior a R$ 1,1 milhão a uma servidora da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT). As diligências policiais foram concentradas em Cuiabá e Várzea Grande.
A ação busca desmantelar o núcleo criminoso, apreender patrimônio adquirido com dinheiro ilícito e estancar a lavagem de dinheiro promovida pelos suspeitos.
Bloqueios judiciais podem ultrapassar R$ 3,3 milhões na Grande Cuiabá
Ao todo, o aparato policial foi mobilizado para dar cumprimento a cinco mandados de busca e apreensão domiciliar, um mandado de busca e apreensão de veículo de luxo, cinco mandados de sequestro de bens móveis e imóveis, além de três ordens judiciais de bloqueio de ativos financeiros nas contas dos alvos. As restrições bancárias impostas pela Justiça podem alcançar o valor somado de até R$ 3,3 milhões.
Entre os investigados que tiveram os nomes e contas bancárias citados no inquérito estão servidores públicos com vínculo na Secretaria de Estado de Saúde, um policial militar da ativa e pessoas físicas indicadas pela inteligência como “laranjas” responsáveis pela circulação dos valores.
Servidora foi vítima de terror psicológico por colega de trabalho durante 3 anos
De acordo com os autos do inquérito instaurado pela Polícia Civil, a vítima vivenciou um pesadelo entre os anos de 2022 e 2025. Ela foi submetida a um processo contínuo de intimidação, chantagem e manipulação psicológica articulado por uma própria colega de repartição pública.
A investigada alimentava a falsa narrativa de que ambas estavam sob a mira de agiotas perigosos por conta de uma suposta dívida atribuída a um terceiro servidor. Colocando-se na posição de “intermediária e negociadora” junto aos criminosos, a mulher exigia repasses sucessivos e urgentes de volumosas quantias em dinheiro sob a ameaça de mortes na família.
Acuada pelo medo constante, a vítima contraiu diversos empréstimos bancários consignados, estourou limites de cartões de crédito, resgatou fundos de previdência privada mantidos para o futuro e gastou economias que seriam utilizadas na construção da casa própria e na educação dos filhos. A mulher ainda foi persuadida a financiar uma caminhonete zero quilômetro em seu nome para repassar ao marido da mentora do golpe.
O fluxo financeiro e as principais medidas autorizadas pelo Poder Judiciário foram organizados no painel informativo abaixo:
| Medida Judicial | Quantidade / Limite | Cidades de Atuação | Alvos / Objetivos |
|---|---|---|---|
| Busca e Apreensão Domiciliar | 5 mandados cumpridos | Cuiabá e Várzea Grande | Apreensão de provas e mídias eletrônicas |
| Sequestro de Bens e Veículos | 1 veículo + 5 sequestros | Região Metropolitana | Caminhonete e patrimônio de investigados |
| Bloqueio de Ativos Bancários | Até R$ 3,3 milhões | Contas do grupo e laranjas | Garantia de ressarcimento dos valores extorquidos |
Sigilo bancário quebrado revela R$ 1,1 mi em transferências e saques em espécie
A virada na apuração ocorreu após a Justiça autorizar a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos. A análise minuciosa efetuada pelos peritos financeiros da Polícia Civil confirmou que a vítima realizou transferências diretas que somaram o valor exato de R$ 1.132.680 para a conta bancária da colega de trabalho.
O rastreamento do dinheiro revelou ainda repasses fracionados para pessoas do círculo pessoal do grupo, movimentações incompatíveis com a renda formal dos suspeitos, milhares de saques efetuados diretamente na boca do caixa e a utilização de interpostas pessoas para ocultar a origem ilícita dos bens adquiridos.
As ordens foram expedidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias (Polo Cuiabá), amparadas em parecer favorável do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). A operação segue em andamento para reunir novas provas e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos. Para acompanhar os desdobramentos desta operação e outras notícias de segurança na capital, acesse o portal de Mato Grosso.
Reportagem baseada em relatórios oficiais de inteligência divulgados pela Polícia Civil de Mato Grosso e decisões cautelares proferidas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do TJMT.
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