Cuiabá terá salas de acolhimento sensorial para eleitores autistas nas Eleições 2026

Espaços climatizados com abafadores de som, iluminação suave e apoio de profissionais de saúde vão atender quem tem sensibilidade a ruídos e aglomerações.

Locais de votação em Cuiabá vão contar com salas de acolhimento sensorial voltadas a eleitores dentro do espectro autista (TEA), pessoas neurodivergentes, mães lactantes e cidadãos em episódios de ansiedade durante o dia da eleição. A medida faz parte do projeto-piloto Voto Acolhedor, criado para diminuir o estresse provocado pelo barulho, pelas filas e pelo tempo de espera nas seções eleitorais.

Os pontos de apoio dispõem de ambiente climatizado, iluminação reduzida, assentos confortáveis, água e abafadores de ruído.

O atendimento no local é acompanhado por profissionais de saúde voluntários — como médicos, psicólogos e enfermeiros — capacitados para auxiliar na regulação emocional e no suporte a crises sensoriais.

Suporte tensional e fluxo de atendimento nos locais de votação

A preparação das equipes envolveu treinamento prático para alinhar abordagens e assegurar a autonomia de quem vai votar, sem expor o eleitor nem transformar o espaço em posto médico de emergência.

  • Foco do acolhimento: Espaço reservado para descanso, autorregulação e alívio do estresse gerado por ambientes barulhentos ou lotados;

  • Encaminhamento ao voto: O eleitor acolhido mantém a preferência no atendimento e a privacidade durante todo o processo;

  • Casos graves: Por se tratar de um ponto de suporte sensorial e não de um ambulatório, ocorrências médicas de maior gravidade serão direcionadas ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

No treinamento, o projeto foi apresentado pelas psicólogas Henriett Marques Montanha e Adriana Martins de Oliveira, momento em que puderam explicar particularidades envolvendo outras situações possíveis, como proceder, e tirar dúvidas. “Iniciativas como essas são muito importantes, porque fazem com que a pessoa com deficiência, pessoas autistas, se sintam parte do processo democrático deste país. Então, as pessoas que não se sentem parte desse processo que é ir até uma urna, dar o seu nome, ficar numa fila e fazer sua escolha. Este projeto é mais do que inclusão, é participação. Porque falar em incluir é colocar o que tá fora dentro. E participação é proporcionar que essa
pessoa que tá dentro utilize, vivencie todos os aspectos da sociedade”, avaliou Adriana.

A também psicóloga Flávia Brum, voluntária do projeto, considera a iniciativa pioneira e importante para a inclusão e o acolhimento das pessoas. “Acho extremamente importante essa iniciativa, porque a gente imagina que, de fato, as pessoas podem ter algum desconforto no dia da eleição. Eu mesma tenho um paciente que, na eleição passada, teve um desconforto muito grande. Ele tem um TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), um quadro muito sério. Tanto que ele evita sair de casa, tem esse medo de contaminação. Durante a eleição, ele teve uma crise muito forte, de ansiedade, passou mal. Esse acolhimento, ter um espaço onde a gente vai olhar para essas particularidades da pessoa, para nesse momento, é extremamente importante”, relatou.

Voluntária do projeto-piloto, a médica da Família Rafaela Cardoso, com pós-graduação em Saúde Mental, tem uma recomendação aos públicos prioritários e aos eleitores neurodivergentes. “Acho muito importante para quem é neurodivergente preferir os horários mais cedo, porque é menos lotado. Se for votar ali próximo do horário do almoço, levar uma água e, ao já chegar, procurar o coordenador local e informar a sua prioridade”, sugeriu.

O treinamento contou com a participação do assistente de Sustentabilidade e Acessibilidade do TRE-MT, Ronaldo Moisés Nadaf e da psicóloga Viviane Zaitum, da Coordenação de Assistência à Saúde (CAS).

A Justiça Eleitoral em Mato Grosso já confirmou a instalação de Salas de Acolhimento Sensorial em nove locais de votação, são eles: Colégio Maxi (Quilombo), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), Arena Pantanal, Escola Estadual Souza Bandeira (Shangrilá), Escola Municipal Professora Maria Ambrósio Pommot (Jardim Imperial), Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), SESI Escola (Morada do Ouro), EMEB Maria Elazir Correa de Figueiredo (São João Del Rei) e Escola Estadual Cívico-Militar Malik Didier Namer Zahafi (Pedra 90).

Há outros sete locais que receberam pedidos para instalação da sala, mas que se encontram em fase de recrutamento de voluntários para sua cobertura, são eles: EMEB Juarez Sodré Farias (Araés), EMEB Celina Fialho Bezerra (Altos da Serra I), Escola Estadual Cívico-Militar Professora Ana Maria do Couto (CPA II), Escola Cívico-Militar Leovegildo de Melo (CPA III), Escola Estadual Cívico-Militar Professora Maria Hermínia Alves (CPA IV), Escola Estadual Cívico-Militar
Victorino Monteiro da Silva (CPA IV) e Escola Estadual Professor Heliodoro Capistrano (Parque Cuiabá).

Até o momento 25 profissionais da saúde foram convocados para atuarem no projeto-piloto

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