Resfriamento com tubo enterrado ganha destaque no calor

Tubo subterrâneo pode reduzir o calor do ar antes de ele entrar em casa, mas o resultado depende do projeto.

Uma solução simples para amenizar o calor usa um tubo enterrado no solo para alterar a temperatura do ar antes que ele entre em um ambiente. A proposta aproveita a diferença térmica entre a superfície e as camadas mais profundas do terreno.

Na prática, o ar quente entra por uma extremidade de um tubo de PVC instalado no jardim. O fluxo percorre cerca de 10 metros pelo trecho subterrâneo e, depois, é conduzido para dentro da casa. Esse percurso permite a troca de calor entre o ar e o solo.

Como funciona o sistema subterrâneo

O ponto principal da instalação está na posição da tubulação. O tubo fica enterrado a aproximadamente 60 centímetros de profundidade, protegido da exposição direta ao sol.

Enquanto atravessa a tubulação, o ar pode transferir parte do calor para o terreno ao redor. Com isso, a expectativa é que ele chegue à outra extremidade com temperatura menor do que a registrada na entrada.

Esse princípio é conhecido como troca de calor ar-terra. A técnica pode ser aplicada ao resfriamento do ar e também aparece em estudos sobre sistemas de climatização passiva.

Por que o solo ajuda no resfriamento?

A temperatura do subsolo não acompanha as mudanças da superfície da mesma forma. Essa característica cria uma condição favorável para a transferência de calor quando o ar circula por uma tubulação enterrada.

O ar mais quente percorre o tubo e troca energia térmica com o solo. Em sistemas maiores, esse conceito é chamado de Earth-Air Heat Exchanger, ou trocador de calor ar-terra.

Pesquisas sobre o método indicam que tubos instalados abaixo do solo podem contribuir para o resfriamento do ar em períodos quentes. Em condições frias, o mesmo princípio pode ajudar a aquecer o fluxo de ar, dependendo do projeto e das características do terreno.

O sistema substitui o ar-condicionado?

Não. Embora a ideia possa contribuir para o conforto térmico, ela não funciona como um aparelho de ar-condicionado convencional.

O ar-condicionado utiliza um sistema próprio para retirar calor do ambiente e controlar sua temperatura. Já o tubo subterrâneo depende da troca térmica entre o ar e o solo para modificar a temperatura do fluxo antes de sua entrada no imóvel.

Por isso, o resultado varia conforme fatores como profundidade, comprimento da tubulação, tipo de solo e condições ambientais. O projeto também precisa considerar a circulação adequada do ar.

O comprimento do tubo influencia?

O tamanho do trecho subterrâneo é outro fator importante. Um percurso maior pode aumentar o tempo de contato entre o ar e o solo e, assim, ampliar a oportunidade de troca de calor.

Isso não significa, porém, que aumentar o tubo indefinidamente produzirá um ganho proporcional. Estudos experimentais apontam que parte relevante do desempenho pode ocorrer nos primeiros metros, enquanto os ganhos adicionais tendem a diminuir ao longo da tubulação.

Uma alternativa simples, mas com limites

A proposta chama atenção por usar uma estrutura relativamente simples e aproveitar uma característica natural do terreno. Ainda assim, o resfriamento por tubo enterrado não deve ser tratado como substituição automática para sistemas convencionais de climatização.

O desempenho depende do dimensionamento e das condições do local. Assim, antes de uma instalação, fatores como solo, profundidade, extensão do tubo e necessidade de ventilação devem ser considerados para avaliar se a solução é adequada.

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