O preço do etanol hidratado registrou uma alta expressiva superior a 27% nos postos de combustíveis de Cuiabá e Várzea Grande, em um movimento que chama atenção por ocorrer diretamente em Mato Grosso, principal estado produtor do biocombustível de milho no país e em plena safra recorde do cereal. O litro, que era encontrado a R$ 3,29, avançou gradativamente por patamares intermediários até alcançar cerca de R$ 4,19, representando um acréscimo de R$ 0,90 ao consumidor.
A escalada de preços na Grande Cuiabá acompanha um movimento verificado em âmbito nacional, impulsionado pelo forte aquecimento do consumo e pela alta competitividade frente à gasolina. Dados da Consultoria Agro do Itaú BBA mostram que, em São Paulo, as cotações nas usinas subiram 20% entre o início de agosto e a metade de setembro, passando de R$ 2,05 para R$ 2,46 por litro, embaladas pelo recorde histórico de vendas das distribuidoras — que comercializaram 1,92 bilhão de litros de hidratado apenas em julho.
O que intriga motoristas e analistas no cenário mato-grossense é o contraste entre os preços praticados nas bombas e a abundância de matéria-prima. O estado colheu recentemente uma safra histórica de milho superior a 58 milhões de toneladas, consolidando a expansão das usinas sucroenergéticas e de cereal. No entanto, fatores como a valorização do açúcar, interrupções pontuais na moagem decorrentes de chuvas em regiões produtoras e a perspectiva de novas demandas regulatórias — a exemplo dos debates sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina — pressionaram as cotações para cima.
Enquanto o mercado monitora se o patamar de preços se sustentará no restante da safra, o consumidor da Grande Cuiabá precisa redobrar a pesquisa na hora de abastecer o veículo flex, equilibrando as contas diante de um biocombustível que perdeu parte da vantagem econômica tradicional em terras mato-grossenses.
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