Polícia identifica suspeitos de tortura a vereador e amplia operação para capturar grupo criminoso

As forças de segurança de Mato Grosso avançaram nas investigações sobre o violento ataque sofrido pelo vereador Wesley Cláudio (Novo), em Rondonópolis, e já identificaram suspeitos de participação no crime que chocou a população do município. O parlamentar, a esposa e os dois filhos foram mantidos em cárcere privado, torturados e ameaçados durante uma ação criminosa que durou quase quatro horas dentro da residência da família.

A informação foi confirmada pela secretária de Estado de Segurança Pública, coronel Susane Tamanho, que destacou o empenho das equipes envolvidas na operação para localizar e prender todos os integrantes do grupo responsável pela invasão.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública, os nomes dos suspeitos ainda não foram divulgados para não comprometer o andamento das diligências. Policiais civis e militares atuam de forma integrada nas buscas, com apoio da Força Tática, Rotam e Bope.

“Não vamos descansar enquanto essas pessoas não forem presas e entregues à Justiça”, afirmou a secretária.

Vereador e familiares são mantidos reféns durante assalto à residência em Rondonópolis; carro oficial da Câmara é levado

Crime mobilizou forças policiais em Mato Grosso

O caso ocorreu na madrugada de segunda-feira (28), quando criminosos armados invadiram a residência do vereador em Rondonópolis. Conforme as investigações, o grupo permaneceu no imóvel entre meia-noite e aproximadamente 3h50.

Durante o período em que esteve sob domínio dos invasores, a família foi submetida a agressões físicas e ameaças constantes. Wesley Cláudio sofreu ferimentos graves após ser atingido na cabeça e teve parte da orelha direita arrancada.

A esposa do parlamentar também foi brutalmente agredida e, segundo relato prestado às autoridades, sofreu duas tentativas de enforcamento, chegando a perder a consciência em uma delas.

O episódio mais dramático envolveu o filho mais novo do casal, de apenas 9 anos. Os criminosos teriam ameaçado mutilar a criança caso o vereador não revelasse onde estaria uma grande quantia em dinheiro que eles procuravam.

Grupo exigia R$ 1 milhão

De acordo com os depoimentos colhidos pela Polícia Civil, os invasores afirmavam estar à procura de R$ 1 milhão que supostamente estaria guardado na residência.

Ainda conforme os relatos das vítimas, os criminosos alegaram ter recebido informações de que o valor seria destinado à compra de votos durante o período eleitoral.

Até o momento, porém, a existência desse montante não foi comprovada pelas autoridades.

Sem localizar o dinheiro que buscavam, os assaltantes levaram cerca de R$ 42 mil em espécie, aparelhos celulares, joias, alianças e o veículo da família, um Volkswagen Polo.

O automóvel foi encontrado posteriormente abandonado e encaminhado para perícia. A residência também passou por análise da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), que busca reunir elementos para fortalecer as investigações.

Polícia evita apontar motivação definitiva

Apesar das declarações feitas pelos criminosos durante a ação, a Polícia Civil mantém cautela sobre as motivações do caso.

Os investigadores trabalham com diferentes linhas de apuração e consideram prematuro classificar o crime como tendo motivação política ou exclusivamente patrimonial.

Entre os pontos analisados estão a origem da informação sobre o suposto R$ 1 milhão, a possibilidade de monitoramento prévio da rotina do vereador e a eventual participação de pessoas que não entraram na residência, mas teriam dado suporte ao grupo durante a execução do crime.

Segundo uma das vítimas, os criminosos afirmaram que observavam os movimentos do parlamentar havia aproximadamente três dias antes da invasão.

Investigação busca identificar todos os envolvidos

Além da captura dos autores diretos do ataque, a investigação pretende esclarecer como os criminosos obtiveram informações sobre a rotina da família e quem teria fornecido detalhes que motivaram a ação.

As autoridades também analisam se houve apoio logístico externo, uma vez que as vítimas relataram que os invasores mantinham comunicação frequente com outras pessoas durante o período em que permaneceram na residência.

Wesley Cláudio e a esposa receberam atendimento médico e já prestaram depoimento às autoridades. O caso segue sendo investigado inicialmente como roubo qualificado, com restrição da liberdade das vítimas e lesão corporal grave.

A expectativa das forças de segurança é que a identificação dos suspeitos permita avançar rapidamente para a fase de prisões e esclarecimento completo de um dos crimes mais violentos registrados em Mato Grosso neste período eleitoral.

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