O mapa da riqueza agrícola brasileira ganhou um novo protagonista. Pela primeira vez em seis anos, Sorriso perdeu o posto de município com maior valor de produção agrícola do país.
O município de Sapezal, no estado de Mato Grosso, assumiu a liderança nacional no valor da produção agrícola no ano de 2025, superando concorrentes históricos como Sorriso (MT) e São Desidério (BA). A cidade alcançou a marca de R$ 8,59 bilhões, enquanto São Desidério registrou R$ 8,22 bilhões e Sorriso contabilizou R$ 8,16 bilhões.

Os dados oficiais foram divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio da pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM). O levantamento nacional apontou que o valor total da produção agrícola do país chegou a R$ 927,2 bilhões em 2025, o que representa um expressivo crescimento de 18,4% em comparação ao ano anterior.
Fatores da Liderança, Impacto Territorial e Destaques do Algodão
De acordo com o IBGE, a alternância no topo do ranking nacional não decorreu apenas das flutuações de produtividade das lavouras, mas também de alterações na malha geográfica:
Reconfiguração Territorial: A instalação oficial do município de Boa Esperança do Norte em 1º de janeiro de 2025 — formado a partir de áreas que antes pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã — provocou uma redução de 9,3% na área plantada de Sorriso, impactando culturas de peso como soja, algodão e feijão.
Salto de Sapezal: Impulsionado fortemente pelo cultivo do algodão herbáceo, que respondeu por R$ 5,13 bilhões (60% do total local com 1,2 milhão de toneladas produzidas), Sapezal registrou um impressionante crescimento de 46,6% no valor da produção, somando ainda altas expressivas na soja (51,4%) e no milho (58,1%).
Com o resultado, Mato Grosso manteve a hegemonia ao liderar o ranking geral entre os estados, somando R$ 165,6 bilhões e emplacando cinco municípios entre os dez maiores produtores do Brasil, com destaque também para Campo Novo do Parecis, Diamantino e Nova Mutum.
Mato Grosso domina o topo do agronegócio
O levantamento reforça o protagonismo de Mato Grosso na agricultura brasileira.
O estado segue liderando a produção nacional de soja, milho e algodão, além de concentrar alguns dos municípios mais produtivos do planeta.
A presença de cinco cidades mato-grossenses entre as dez maiores economias agrícolas do Brasil demonstra a força de uma cadeia produtiva que movimenta bilhões de reais, gera empregos e impulsiona as exportações brasileiras.
Nos últimos anos, o avanço da tecnologia no campo, o uso de sementes mais produtivas, a ampliação das áreas cultivadas e os investimentos em logística ajudaram a elevar os índices de produtividade em diversas regiões do estado.
A lista das dez maiores cidades agrícolas é a seguinte:

O ranking revela a concentração da riqueza gerada pelas lavouras, com Mato Grosso sozinho respondendo por quase R$ 166 bilhões. O ano de 2025 foi excepcional para a agricultura brasileira, com a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas alcançando um recorde de 345,4 milhões de toneladas, impulsionada pela recuperação da produtividade de culturas como soja e milho após problemas climáticos em 2024.
De projeto de colonização a referência nacional
A história de Sapezal está diretamente ligada à expansão da fronteira agrícola mato-grossense.
A ocupação da região ganhou força entre as décadas de 1970 e 1980, acompanhando o avanço da agricultura mecanizada no estado. O município foi emancipado em 1994, desmembrando-se de Campo Novo do Parecis.
Desde então, a cidade construiu uma trajetória marcada pela produção agrícola em larga escala e pela adoção de tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.
Agora, ao assumir a liderança nacional em valor de produção agrícola, Sapezal consolida seu nome entre os principais símbolos da força do agronegócio brasileiro e demonstra que municípios relativamente pequenos podem ocupar posições estratégicas na economia nacional.
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