O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) adotou uma iniciativa inédita para ampliar a proteção contra o uso indevido de inteligência artificial nas Eleições Gerais de 2026. A Corte está convidando candidatas e candidatos ao Governo de Mato Grosso a cadastrarem suas vozes em um mecanismo criado em parceria com a empresa ElevenLabs, especializada em tecnologias de geração e processamento de voz.
A medida é preventiva e busca dificultar a utilização da tecnologia para criar áudios falsos, simular declarações ou atribuir a candidatos e autoridades falas que nunca foram pronunciadas.
A presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, confirmou que também irá incluir sua própria voz no sistema de proteção. A adesão dos candidatos, porém, é voluntária e depende da manifestação de cada candidatura.
“A inteligência artificial oferece inúmeras possibilidades positivas, mas também exige medidas de prevenção contra usos que possam confundir o eleitor ou atribuir falsamente uma declaração a determinada pessoa”, destacou Serly.
Vozes protegidas
A iniciativa integra uma parceria da Justiça Eleitoral com a ElevenLabs e prevê a inclusão das vozes de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais e candidatos à Presidência da República e aos governos estaduais e do Distrito Federal em uma lista denominada “No-Go Voices”, ou “Vozes Protegidas”.
O mecanismo pretende restringir, dentro dos serviços oferecidos pela própria empresa, a reprodução sintética ou a clonagem das vozes cadastradas. A intenção é dificultar que a tecnologia seja utilizada para produzir conteúdos destinados à desinformação, falsificação de identidade ou atribuição indevida de declarações.
Para participar, o candidato deverá fornecer uma amostra de voz que atenda aos requisitos técnicos estabelecidos pela plataforma. A partir desse material, a empresa poderá identificar a voz e aplicar as restrições previstas em seus sistemas.
Prevenção contra desinformação
A preocupação ganha relevância em um cenário no qual ferramentas de inteligência artificial estão cada vez mais acessíveis e capazes de produzir áudios convincentes em poucos segundos. Durante uma campanha eleitoral, uma declaração falsa atribuída a um candidato pode circular rapidamente pelas redes sociais e alcançar milhares de eleitores antes mesmo que sua autenticidade seja verificada.
Por isso, o TRE-MT aposta na prevenção como uma das estratégias para preservar a confiabilidade das informações durante o processo eleitoral.
“A iniciativa não se trata apenas de reagir à desinformação depois que ela circula. Precisamos também trabalhar preventivamente, utilizando os instrumentos tecnológicos disponíveis para reduzir riscos”, afirmou o assessor de Comunicação Social do TRE-MT, Daniel Dino.
A coordenação da iniciativa em Mato Grosso ficará a cargo da Assessoria de Comunicação Social do TRE-MT. A Corte reforça que o mecanismo não substitui outras medidas de verificação e combate à desinformação, mas representa mais uma ferramenta para reduzir as possibilidades de uso fraudulento da inteligência artificial.
A proposta coloca a Justiça Eleitoral diante de um novo desafio das campanhas de 2026: não basta mais verificar se uma imagem ou vídeo é verdadeiro; também será necessário proteger a própria identidade sonora de candidatos e autoridades.
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