Levantamento da Polícia Civil aponta que 80% das vítimas de feminicídio em Mato Grosso em 2025 não haviam denunciado agressores

Levantamento da Polícia Civil aponta que 80% das vítimas de feminicídio em Mato Grosso não tinham denunciado o homem apontado como autor.

Um levantamento inédito realizado pela Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Mato Grosso revelou que oito em cada dez mulheres vítimas de feminicídio no estado em 2025 não haviam registrado denúncia prévia contra o agressor. A análise detalhou os 53 casos de feminicídio contabilizados ao longo do ano passado.

De acordo com os dados estatísticos, apenas 11 vítimas (20% do total) possuíam algum registro formal de violência anterior contra o homem apontado como responsável pelo crime. Em contrapartida, 33 mulheres (61%) nunca haviam formalizado qualquer tipo de queixa policial contra o parceiro, ex-companheiros ou familiares.

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Medidas Protetivas e o Período de Rompimento

O estudo da Polícia Civil também mapeou a situação jurídica das vítimas no momento do crime:

  • Medidas Vigentes: Apenas sete mulheres (13%) contavam com medida protetiva de urgência válida contra o autor na data do óbito, sendo que duas delas utilizavam o dispositivo de segurança emergencial conhecido como botão SOS. Outras três vítimas haviam reatado o relacionamento com o agressor.
  • Vulnerabilidade Pós-Rompimento: A instituição policial ressalta que o instrumento jurídico, por si só, não elimina o risco de novos ataques, destacando a extrema periculosidade do período posterior à separação — cinco das sete mulheres assassinadas mesmo com medidas protetivas ativas foram mortas por ex-parceiros.

Tragédia em Nova Bandeirantes

A gravidade da subnotificação e do ciclo de violência fica ilustrada pelo caso de Eliene Luzanira da Silva, de 38 anos, assassinada a facadas na manhã do último sábado (22) em sua residência, no município de Nova Bandeirantes.

Conforme o registro policial, o filho do casal, de apenas 7 anos de idade, buscou socorro junto a um vizinho e relatou o crime. Os policiais encontraram a vítima sem vida na cozinha, com múltiplos ferimentos causados por arma branca. Eliene não possuía medida protetiva cadastrada contra o suspeito, que permaneceu foragido por dois dias até ser localizado e preso pelas autoridades na manhã desta segunda-feira (24).

Para a segurança pública, os números reforçam a necessidade de superar dois grandes entraves no combate aos crimes de gênero: alcançar situações de violência veladas que não chegam ao conhecimento oficial do Estado e fortalecer a rede de proteção destinada àquelas que já buscaram auxílio formal.

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